No que diz respeito a educação formal, 82% de pessoas trans abandonam a escola, já que o ambiente escolar está entre os ambientes onde mais sofrem agressões, tendo constantemente seus direitos negados, como  uso o nome social e pronomes de sua escolha, o uso do banheiro de acordo com sua identificação de gênero – e no caso de pessoas não binárias esse direito é negado na própria estrutura binária da escola que não possui banheiros unissex -, além de agressões físicas e estupros corretivos. Apenas 13% da população trans está inserida no mercado de trabalho com carteira assinada. Trata-se de uma sociedade que apaga cotidianamente a participação de mulheres e pessoas trans na construção da história.

Na área artística não é diferente. Historicamente escritoras tiveram que apagar seus nomes para publicar seus livros, assinando como anônimas ou com um nome masculino. Nas danças os corpos das mulheres e pessoas trans são constantemente sexualizados. No teatro por muito tempo papéis femininos foram interpretados por homens cis porque mulheres eram proibidas de trabalhar como atriz. No cinema personagens trans foram e seguem sendo interpretados por pessoas cis, em geral de forma estereotipada e desumanizada. Na arte urbana um dos desafios enfrentados é a ocupação das ruas, já que é um dos espaços onde as mulheres e pessoas trans sofrem assédio, importunação e outras violências.

Quando trata-se da programação de festivais de arte, mulheres e pessoas trans são excluídas ou compõem uma parte pequena da programação. Em relação a produção e equipe técnica esse número é ainda menor. Dessa forma, torna-se necessário criar espaços artísticos produzidos e protagonizados por mulheres, homens trans e pessoas não binárias.

O Festival Transbordar é um espaço de formação, produção e difusão de arte no interior do estado de São Paulo. Idealizado e produzido pelo Estúdio Nosotras e Lua Cheia Produções, promove projetos de formação sobre gênero, técnicas de arte com foco na literatura e arte urbana, saraus e eventos com foco em trocas artísticas, campanhas solidárias e festival de multilinguagens artísticas produzido e protagonizado por mulheres (cis e trans), homens trans e pessoas não binárias.

O festival promove a ocupação de espaço público através da arte e economia solidária, transformando e ressignificando o ambiente e contribui para a construção de memória positiva em relação a história de mulheres e pessoas trans. 

Com o objetivo de registrar nossos nomes e nossas vozes na história, vamos Transbordar Arte Por Toda Parte!